A vida me leva

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Lembro a primeira vez que andei de ônibus. Não tinha força nem para empurrar a catraca à frente do cobrador, passei por baixo mesmo, num esforço mútuo de minha mãe e da velocidade do veículo. Foi difícil se acostumar com isso tudo: os carros e casas correndo lá fora tão rápido enquanto eu observava a vida parada aqui dentro me deixava enjoado – “é falta de costume”, disse minha mãe.

 

E, nesse primeiro momento, era mesmo muito difícil se acostumar. Mas aos poucos fui me rendendo ao movimento que considero hoje mágico. Com que destreza o bonde perfila as ruas e os bairros, encontra as pessoas e atende suas necessidades de conhecer o mundo e usufruir dos seus prazeres. Sobe, desce, corre, para, tudo feito com extrema exatidão e prontidão. Que satisfação conhecer o mundo daqui!

 

Não conseguia conter o frio na barriga de presenciar esses acontecimentos. E hoje, depois de revirado os anos, nada mais me aproxima da humanidade do que estar dentro do ônibus. É uma maneira de viver, é como eu gosto de levar a vida.

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