Público

SBCTrans

Quem que já andou de transporte público que não tem histórias para contar? Na verdade, a maioria das histórias que temos para compartilhar é sobre os outros. O nome já diz, o transporte é público. Uma vez lá dentro, você está sujeito a dividir tudo com todos, inclusive suas histórias e algumas intimidades.

A breve história que conto hoje não e sobre mim, mas sobre o que vi e ouvi quando estava no transporte público. Para ser mais específico, aconteceu dentro do metrô, num dia e horário em que não havia muita gente e era possível que todos se acomodassem nos bancos dos vagões.

O protagonista dessa história é um menininho, de oito anos talvez. Magro, de cabelos bem escuros e com óculos que deixavam seus olhos pequenos, apesar de muito curiosos. O menino estava acompanhado de sua avó, uma avó bem típica, com cabelos curtos brancos, roupas antigas e um sorriso acolhedor e caloroso no rosto.

A primeira coisa que reparei era na empolgação do menino. Parecia que ele estava indo para a Disney. O menino não parava de olhar para os lados, como se esperasse algum sinal de quando estariam chegando ao destino. Mas no subsolo, não há muitas indicações do que acontece no mundo lá de fora.

Duas estações depois, a avó faz uma pergunta que me surpreende: “Você já quer voltar?”. Como assim?! Bom, o menino veementemente responde “Não! Vamos mais um pouquinho e depois a gente volta”. Fiquei curioso e comecei a acompanhar a conversa dos dois, até perceber o que estava se passando.

O menino e sua avó não estavam indo para lugar nenhum. A avó apenas o tinha levado para andar de metrô. Sim! Apenas para ele passear um pouco de metrô sem destino nenhum. Não sei dizer se o menino era de uma cidade distante, se era de um bairro sem metrô ou se só andava de carro. Mas a questão é: para ele, o próprio passeio de metrô já era uma diversão.

Observar crianças é sempre muito interessante. Elas tem a pureza de dar valor a momentos mais simples da vida. Estar ali com a avó dentro daquele monstro que é o trem, viajando no subsolo que, querendo ou não, é incrível, o deixou extremamente feliz.

Essa pequena história que faz parte da minha vida, afinal estava no transporte público, me fez ter vontade de procurar mais essas simplicidades. Procurar no meu dia-a-dia momentos que sejam bons, felizes e que eu possa aproveitá-los. Nem que seja um pedacinho da vida do outro, ou das vidas dos tantos outros com quem cruzo todos os dias em ônibus, trens e calçadas das cidades.

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