Do leitor: Uma nova vida com transporte público

Nosso propósito com o blog Mobilidade Humana é promover reflexões, trazer novidades e discutir informações acerca de todos os tipos de mobilidade que influenciam nossas vidas. Diante disto, achamos muito legal a iniciativa do leitor Eduardo Trevisan que nos enviou um texto – pelo e-mail sbctransoficial@gmail.com – super interessante sobre sua migração do uso do carro para o transporte público. Com certeza é um tema que interessa a todos nós e que enriquece em grande medida o conteúdo do nosso blog. Por isso, agradecemos muito ao leitor por sua colaboração e esperamos que mais pessoas se sintam motivadas a enviar contribuições com suas experiências e percepções.

Leiam e aproveitem!

 

A mudança do transporte privado para o público é uma temática muito recorrente e debatida nos dias de hoje. Entretanto, pra quem vive e trabalha no centro expandido de São Paulo (como eu), o processo de decisão pode ser muito rápido. Eu nunca fui fã de dirigir, muito menos no trânsito, portanto sempre fiquei na esperança de conseguir uma alternativa ao stress dos carros.

 

No início do ano meu emprego ficava a 4km de onde eu morava – decidi ir de bicicleta. Comecei usando as bicicletas públicas da cidade, mas ficar refém da disponibilidade de bicicletas da estação era um pouco ruim. Por isso, decidi comprar minha própria bicicleta. Apesar das dificuldades de compartilhar a via com o carro, com a bike eu demorava em média apenas 5 minutos a mais do que  de carro, além de investir em saúde (exercício faz sempre bem) e diminuir meu stress (dirigir em São Paulo às vezes pode ser excruciante).

 

Com a mudança do escritório para outro bairro, meu trajeto de carro demorava cerca de 40 minutos! De ônibus, o tempo era o mesmo, acrescentando aí uma margem de 10 minutos pela espera no ponto. De metrô, o tempo ia para 50 minutos.

 

Foi em face desses números que comecei a me questionar qual era o papel do carro na minha vida e se ele era mesmo essencial. 

 

Comecei a colocar na ponta do lápis, além do tempo, os gastos. A média dos preços de estacionamento na região era de incríveis R$350, além de ter de gastar cerca de um litro de gasolina para ir e um para voltar do trabalho diariamente, o que somaria cerca de R$460 por mês apenas para trabalhar.

Com isso, resolvi fazer um teste e deixar o carro na garagem.

 

Para o trabalho, ia só de metrô. E foi então que eu comecei a aprender que o tempo gasto no trajeto até o trabalho não precisava ser jogado no lixo. Quando estamos de carro, temos que devotar nossa completa atenção à direção, mas se estamos num trem, temos a liberdade de fazermos o que quisermos. Acreditem: se pode fazer de tudo. Eu, por exemplo, leio. Tem gente que ouve música, tem gente que vê seriado no celular, tem gente que conversa e tem também gente que estica a soneca até a estação que tem que descer.

 

Os resultados dessa mudança foram surpreendentes. Ao invés de chegar no trabalho estressado com o trânsito, comecei a chegar mais relaxado e comecei a ler muito mais do que eu lia antes de usar o transporte público. Os benefícios não pararam por aí. O trânsito não ancora mais a minha mobilidade. Se a cidade está travada, posso pegar um ônibus que passe por corredores, andar de metrô e passar debaixo de todo caos ou pegar uma bicicleta e ir passeando pela cidade.

 

Quando tive de procurar um novo lugar para morar, fui atrás de onde eu teria transporte facilitado e me mudei para o centro. Hoje moro a uma quadra de duas estações de metrô e a 100m de um corredor de ônibus, vendi meu carro e uso o táxi para sair aos finais de semana.

 

Mais do que uma mudança na locomoção, a adoção do transporte público é uma mudança no estilo de vida. Quem usa o carro se isola da cidade e deixa de aproveitar as paisagens, as pessoas, as conversas e a interação que nos faz tão bem no dia-a-dia.

 

Pra quem pretende migrar, algumas dicas são válidas:

 

1) Organização

Organizar seu tempo é essencial para utilizar o transporte público. Sua locomoção não depende só de você, então temos que nos lembrar de como é a vida em sociedade e nos adaptar à estrutura que nos ajuda.

 

2) Entretenimento

Você vai ter bastante tempo livre, então faça valer a pena. Compre um novo livro, baixe um CD novo, um joguinho bacana no celular ou até mesmo uma palavra cruzada. Ao invés de fritar seu cérebro com a raiva, você vai estimulá-lo. E vai ser ótimo.

 

3)Guarda-Chuva sempre

Bem, na Grande São Paulo a gente nunca sabe como o dia termina. É melhor estar sempre prevenido.

 

4) Tenha uma bolsa grande

Quando a gente tem carro, está acostumado a deixar os itens de sobrevivência largados pra quando precisar. Essa mamata acabou, então tenha uma mochila ou uma bolsa onde você possa carregar uma blusa, seu livro, escovas de dente, sapato, travesseiro, sandália, secador de cabelo, apostila, roupa suja e tudo mais que você deixava largado no carro.

 

5) Shoes made for walking

Pra cidadãos da rua, o conforto nos pés é imprescindível. Nada daquele sapato social bonito, mas sem amortecimento.

 

6) Bilhete de integração

Só quem usa sabe as maravilhas da integração e as economias que podemos fazer com o cartãozinho.

 

– Eduardo Trevisan

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