Novas distâncias

– Crônica enviada ao Mobilidade Humana por autor anônimo.

“Antes de me mudar para São Bernardo do Campo, eu morava no Moinho Velho, região do Ipiranga da cidade de São Paulo. Boa parte da minha família morava lá, mas outros moravam em Santana, também em São Paulo.

Para quem não sabe, o Moinho velho fica na zona Sul de São Paulo, indo para a parte sudeste da cidade, a uns 10 quilômetros do centro. Enquanto isso, Santana fica na zona norte, ainda mais próximo do centro, a uns 5 quilômetros.

Ou seja, vai, entre um bairro e outro devem ter uns 15 quilômetros de distância de vias urbanas. Não é muito perto, mas dá para fazer uma visita aos parentes da família com facilidade, certo? Bom hoje em dia sim, mas na década de 60 nem tanto.

Eu me lembro que toda vez que nós íamos visitar minha tia, parecia ser uma viagem. Eu tinha uns 10 anos e, para mim, era como ir a outra cidade. Mas não era somente uma percepção de criança. Veja, quando íamos, eu, minhas duas irmãs, meu irmão e meus pais, nós sempre passávamos a noite lá!

Vou explicar melhor, não existia uma rápida visita durante a semana, por exemplo. Visitar meus parentes de Santana era sempre de final de semana, ou melhor, sempre de sábado, quando era possível sair ainda na luz do dia. Quando chegávamos lá, era sempre uma festa e sempre chegávamos cansados. Voltar à noite não era uma opção, por isso, dormíamos em Santana para voltar no domingo.

Não voltávamos à noite porque eram, claro, outros tempos. Atravessar a cidade era muito mais demorado. Era um tempo de mobilidade muito mais lenta e, quando à noite, muito mais perigosa.

Outro dia, contando ao meu filho, ele achou toda a história muito curiosa, o que me motivou escrever esse texto. Fiquei pensando como, em tão pouco tempo, parece que as distâncias diminuíram muito, aproximando pessoas, tudo com o avanço da mobilidade. Penso que hoje em dia tenho parentes no exterior que posso ir fazer uma visita de poucos dias. Ora, em 1966 isso seria completamente inconcebível.

Gosto de pensar em como vai ser o futuro. Será que em curtos 20 anos vamos nos sentir cada vez mais próximos uns dos outros? Imagino e espero que sim!”

 

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