Lembranças

Tiro meus óculos escuros.

Era a primeira vez que eu estava naquele bairro. É uma região um pouco afastada da cidade. Quem mora por lá tenta fazer tudo pelas redondezas. Apesar de ser um bairro pequeno, eu sentia como se fosse um município completamente diferente, com sua próprias dinâmicas e vidas.

Andando por suas ruas, me batia uma sensação esquisita de curiosidade e desconhecimento. Como eram as rotinas daquelas pessoas? O que se passava dentro de cada uma daquelas casas, de cada uma daquelas várias torres de condomínio?

Tudo para mim parecia esquisito. Cada virada de esquina era uma descoberta.

Comecei a pensar: será que as pessoas se sentem assim quando visitam o bairro em que eu cresci? Ou será que para os outros é apenas mais uma passagem?

Não tenho ideia se vivo tudo de uma maneira mais intensa que os outros, mas visitar um novo lugar, mesmo que um mero bairro dentro da cidade onde moro, é uma oportunidade de entrar em contato com tanta coisa nova.

Por um momento, me lembro porque estou naquele lugar. É hora de terminar um ciclo. Hora de acabar com um sonho que não deu certo. Triste ter que passar por um momento tão difícil em um local que me oferece tantas oportunidades.

Lágrimas em nossos rostos.

Quando estou para partir, começo a ter muita aflição. Fico pensando quando vou voltar. Tenho que voltar. Minha vontade é de conhecer alguém que mora lá. Será que essa pessoa gosta dali? Quero conhecer alguém que mora na parte com as casas grandes e ruas cheias de árvores, mas também quero conhecer alguém que mora naquele prédio no meio dos vários restaurantes.

Quero construir alguma boa memória desse lugar. Quero que ele não seja somente palco de choro, mas também de sorriso e deslumbre. Que abra possibilidade do novo e não somente enterre o velho.

Coloco meus óculos escuros.

Pego a avenida que dá para o rio. O sol está se pondo à minha frente. A avenida parece muito maior do que realmente é, como uma estrada que vou atravessar e nunca mais voltar.

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One response to “Lembranças

  1. Fiquei indignada no domingo 10-08-2014 quando retornava para casa, estava na Av Faria Lima, no ponto de ônibus aguardando a linha 37, quando para minha surpresa, assisto uma cena: Um jovem cadeirante da sinal para ônibus o motorista gentilmente desce e aciona o aparelho para o acesso do cadeirante no ônibus, porém não funcionou, o motorista pede desculpas ao usuário, um jovem na cadeira de roda e solicita para aguardar outro ônibus onde possa funcionar o acesso/entrada no transporte coletivo de acessibilidade a cadeirante. Veja pessoal estou relatando o que eu vi e nada mais. A questão é muito simples, a Empresária Sra. Beatriz esta ciente destes fatos, seus veículos circulam sem manutenção e que pessoas com direito de ir e vir estão a mercê destes veículos??????????? Parabenizo o trabalhador motorista que ficou tentando por diversas vezes em vão sentindo-se desconfortável sem poder ajudar aquele usuário da linha. Publico porque de um lado admirada ao ver um atitude louvável do motorista e do outro a EMPRESA SBCTRANS onde a Empresária Sra Beatriz acredito não estar ciente da falta de manutenção em seus veículos.

    Horário por volta das 18h30
    data : 10-08-2014
    nro veículo : 709

    PARABÉNS MAIS UMA VEZ AQUELE MOTORISTA

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